O Abstracto Não É Concreto?
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| Untitled by Jackson Pollock |
Em poucas coisas como na história da arte contemporânea é possível perceber esse conceito tão junguiano do ‘inconsciente colectivo’. A noção de que existe uma camada inconsciente guardada em todos nós, que não deriva da experiência individual (mesmo que só através dela se manifeste) mas de um conjunto de padrões que temos gravados e nos aproximam, é o caldo perfeito para perceber a emergência de movimentos e correntes artísticas de ruptura, nessa espécie de pulsão identitária entre artistas, que faz a arte procurar novos (velhos) caminhos de expressão, com a certeza de que haverá algo de primário e fundador, comum entre todos e capaz de nos conferir essa propriedade de ‘sermos humanos’.
Lembrei-me disto a propósito da morte de H. Frankenthaler, artista do Expressionismo Abstracto e do papel desta corrente no trabalho do indivíduo confrontado com o ‘eu’.
Surgindo no inicio do século XX, com pleno desenvolvimento no pós-guerra, os seus fundadores face-a-face com a manifestação de todo o bem e todo o mal, não procuravam senão encontrar na expressão artística o modo de libertação pura do inconsciente, recorrendo a uma 'derivação' da livre associação surrealista, e deixando-o, por isso, manifestar-se através da improvisação de cores, formas e padrões, fazendo o aleatório trabalhar até ganhar um sentido - completada a obra - que seria o sentido primitivo do artista, e (no limite) da humanidade que tem dentro.
Mais, aqui.

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