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Comecei finalmente a ler uma compilação de contos do John Cheever, que mais não faz do que revelar a sua evolução como escritor, num caminho claro entre consciência e maturidade e abrangendo mais ou menos uma década de escrita a partir da adolescência.
Como os primeiros contos são pueris, o que mais gostei até agora foi de ler o capítulo introdutório. Nada a desmerecer no literato mas tal como quando leio o Harold Bloom, este prefácio reaviva em mim a certeza de que tudo encaixa, tudo é sistémico, nada (nem o inusitado) acontece por acaso. E as nossas preferências literárias, aquilo que intuimos, também não.
É por isso que sorrio ao ver mais uma vez as referências a Updike ou a clara identificação de Cheever nos seus primeiros anos literários, com a escrita contida e insinuante do meu tão amado Hemingway, explicando-me porque gosto tanto dele.
A melhor coisa porém, acontece quando o autor do prefácio, George W. Hunt, fala de um conceito que nunca vi tão bem explicado como aqui: o de ampliação. Há um momento na sua história pessoal em que Cheever renega a contenção literária que outrora achara brilhante, em prol da ampliação dos personagens e da escrita, tornando-a mais generosa (e fácil para o leitor), como se crescesse. Hemingway, na sua maravilhosa e máscula obstinação, não o fez, penso. E depois, matou-se.
A melhor coisa porém, acontece quando o autor do prefácio, George W. Hunt, fala de um conceito que nunca vi tão bem explicado como aqui: o de ampliação. Há um momento na sua história pessoal em que Cheever renega a contenção literária que outrora achara brilhante, em prol da ampliação dos personagens e da escrita, tornando-a mais generosa (e fácil para o leitor), como se crescesse. Hemingway, na sua maravilhosa e máscula obstinação, não o fez, penso. E depois, matou-se.

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